Reportagem publicada no Jornal A Gazeta (Vitória – Espírito Santo)

Conheça a Síndrome que prejudica a leitura e aprendizado

Batizada de Irlen, doença “movimenta” letras e linhas, causando sono e enjoo.

A escola tem como primeiro desafio ensinar a ler e a escrever, mas muitos são os problemas que impedem que isso aconteça. Um deles é a síndrome de Irlen, que afeta, principalmente, atividades que requerem a leitura, o que prejudica o aprendizado.
A chefe do Departamento de Neurovisão do Hospital de Olhos de Belo Horizonte, Márcia Reis Guimarães, diz que a síndrome é ocasionada por um fator genético, que causa desorganização das informações recebidas pelo cérebro, a partir da visão, e afeta todas as idades.
Para os portadores, o brilho ou reflexo do papel branco contra o texto promove irritabilidade e dificuldade de manter o foco. A leitura é feita de forma lenta ou interrompida. A sensação é que as letras e as linhas se movimentam, causando sono, dor de cabeça ou enjoo. Além disso, luzes fluorescentes são desconfortáveis e geram irritabilidade. O cansaço de realizar atividades corriqueiras, como prática de esportes com bola, descer e subir escadas e dirigir, também podem ser fatores ligados à síndrome.
O estudante Gabriel Willian Siqueira, 8, enfrentava dificuldades na escola. Depois de um tempo, a família descobriu que os problemas no aprendizado eram decorrentes da síndrome. Antes de fazer os procedimentos necessários, o incômodo e o cansaço para ler, a coceira nos olhos, as linhas e as palavras que se movimentavam ao olhar para o papel o atrapalhavam. “As pessoas achavam que meu filho tinha preguiça”, diz a mãe de Gabriel, Josiane Siqueira.
Foto: Marcelo Prest – Psicopedagoga e Screener Ester Assis com o paciente Gabriel Siqueira.
Quem identificou a síndrome em Gabriel foi a psicopedagoga e screener Ester Assis, através do método Irlen. Ela afirma que os pais precisam ficar atentos aos sintomas, muitas vezes confundidos com a dislexia. “O diagnóstico pode ser feito a partir dos 7 anos, quando a criança começa a ler e a escrever. Os pais precisam analisar o rendimento escolar dos filhos. Caso esteja ruim e o filho tiver alguns dos sintomas, é preciso procurar um profissional screener”.
No Espírito Santo, cerca de 40 profissionais da saúde e educação são cadastrados pelo Hospital de Olhos e podem realizar os procedimentos para identificar a síndrome.
A doença pode se manifestar de três formas: severa, leve ou moderada. Nos dois últimos casos, segundo a doutora Márcia, os portadores que não conhecem a síndrome só chegam à idade adulta com bom desempenho escolar e profissional às custas de muito empenho pessoal. “O preço que pagam são finais de semana dedicados ao estudo para recuperar a defasagem semanal.
É um esforço diário enorme, que se revela por dores de cabeça e profundo cansaço ao final do dia, o que provoca irritabilidade, agressividade, desânimo e necessidade de isolamento”, conclui.
Tratamento
De acordo com características do paciente, o tratamento é realizado através do uso de overlays (lâminas coloridas colocadas sobre o papel branco) ou de filtro nos óculos – eles são anexados às lentes ópticas, com ou sem correção de grau.
Com esses procedimentos, as distorções visuais são neutralizadas e os portadores passam a enxergar normalmente. “A intenção é proporcionar conforto e nitidez à leitura. Cada paciente responde de uma maneira muito peculiar. As overlays são de baixo custo – praticamente o preço de um caderno – e fazem uma grande diferença para a leitura”, afirma a médica, acrescentando que o tratamento não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Fonte: Jornal A Gazeta – Vitória/ES – 19 de Novembro de 2015
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