Fazendo a diferença… Perguntas que precisam ser respondidas

Com a chegada do final da jornada escolar, cresce a demanda nos consultórios, a ansiedade da família e a angústia da escola com aqueles alunos com dificuldades de aprendizagem. A falta de resposta da origem dessas dificuldades torna-se mais intrigante à medida que o ano vai terminando.

É importante ressaltar que o motivo de uma dificuldade de aprendizagem não é necessariamente uma situação pontual. As perguntas pairam no ambiente escolar e familiar – por que a criança/adolescente não aprende? É considerado inteligente mas não consegue atingir o mínimo esperado para sua série? Quais são as estratégias mais adequadas que devem ser orientadas à equipe escolar para aproveitar ao máximo o potencial de aprendizagem desse aluno?

Na experiência clínica, as dificuldades de aprendizagem (em sua maioria) não estão relacionadas à déficits cognitivos. Relato o caso de um adolescente de 15 anos que chegou com queixa de dificuldades de aprendizagem em geral, desmotivação e uma forte tendência à reprovação. A defasagem pedagógica era enorme e a angústia da escola e da família provocavam um alto nível de ansiedade, trazendo consequências desastrosas na vida desse adolescente. Após a avaliação, foi percebida uma dificuldade atencional extremamente significativa onde foi constatado um déficit de atenção e imediatamente tratado com medicação e intervenção cognitiva. Foi muito gratificante quando ele me relatou “parece que acordei para a vida. Foi a primeira vez que consegui entender o que o professor estava falando”.

Já entrevistando pais que descobriram que seu filho apresentava uma dificuldade no processamento visual (Síndrome de Irlen), percebemos que a vida passava a ser vista por outro ângulo. Isso não implicava na resolução total de problemas, mas mais um componente importante a ser aliviado, liberando os outros canais de aprendizagem e auxiliando para as outras intervenções multidisciplinares.

Quando conseguimos colaborar para amenizar o sofrimento de crianças/adolescente e até adultos, seja ela por avaliações, intervenções, orientações à família e escola, temos a sensação de que nosso papel vai além do conhecimento acadêmico (embora seja ele muito importante). Trata-se de uma crença de que o ser humano é modificável e que apesar das dificuldades, podemos ser surpreendidos com sua evolução. Somos mediadores de todo esse processo de busca por respostas. Felizmente não estamos sozinhos! Cada um em sua área, com seu conhecimento e dessa forma multidisciplinar, trabalhamos juntos para que alcancemos mais respostas para mais perguntas que virão na nossa jornada!

Suely Mesquita
Psicopedagoga Clínica e Institucional
Mestranda em Educação pela Universidade de Jaen – Espanha
Mediadora do PEI Standart e Básico – CBM SP e Instituto Feuerstein – Israel
Departamento dos Distúrbios de Aprendizagem Relacionados à Visão – Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães